terça-feira, 24 de julho de 2007

ESTRANHA APARIÇÃO


ESTRANHA APARIÇÃO. Rio de Janeiro, Rocco, 2000

SEXAMERON

SEXAMERON. Novelas sobre casamentos. Rio de Janeiro, Relume-Dumará, 1997.113 p.

Seis contos, um Preâmbulo, uma Despedida e uma Nota do Editor do Manuscrito que visam a recapturar, em estilo fantástico-surrealista, a vida nas últimas décadas do século XX e um possível fim do mundo. Refugiados num castelo do alto do Humaitá, seis jovens, rapazes e moças, contam-se estórias do tempo mágico em que viviam na cidade do Rio de Janeiro, desfrutando de aventuras e prazeres, em face da ameaça de uma peste que possivelmente destruirá o mundo. Deixam como vestígio este manuscrito recuperado de forma inusitada. O estilo retoma o Decameron, clássico renascentista de Boccaccio, por vezes através da paráfrase (Prólogo e Despedida), e pela adoção de nomes gregos por parte dos personagens. E também o Heptameron, de Margarida de Navarra, que se inspirou naquele. Os contos buscam recuperar o perfil da novella italiana, que na época tecia diversos relatos com uma unidade temática e narracional. Através de uma leitura parodística e satírica, propõe-se a revelar a vida envolvida em sexo, prazer e futilidades que fazem parte do cotidiano decadentista do final de nossa era.resenhas sobre Sexameron

A MAÇÃ MORDIDA

A MAÇÃ MORDIDA. Contos. Rio de Janeiro, Numen, 1992.

O conto que dá título à coletânea dá o tom da obra, que é abertamente fantástico, surrealista ou pós-moderno, conforme se prefira intitular este estilo. Ele apresenta fortes características cinematográficas, visuais, sígnicas. Pretende acompanhar o narrado através da ação, que se passa na mesma velocidade que o pensamento. Não há aprofundamento descritivo dos personagens, porque na sociedade contemporânea não há tempo para parar e pensar. Aventuras, impasses, escolhas, mergulho no inconsciente, no sonho, no delírio, na fantasia se sucedem. A palavra que resume a forma de narrar do livro poderia ser "pós-moderno".

VÔO LIVRE

VÔO LIVRE. Contos. Rio de Janeiro, Cátedra; Brasília, INL, 1982.

Estes contos pretendem abarcar a aventura, a viagem, a descoberta, mas um deles também incursiona por um imaginário fim do mundo, após a bomba atômica. O foco principal recai na dificuldade de relacionamento entre as pessoas, chegando ao paroxismo em "Manuscrito de um homem só". Como o título já diz, o conto, em primeira pessoa do singular, relata a solidão do homem no século XX, onde muitas vezes assiste-se à desintegração da personalidade e da capacidade lógico-discursiva. O livro procura apresentar uma crítica da sociedade contemporânea à luz do humanismo e da existência criativa de seus personagens.

POR TRÁS DOS MUROS

POR TRÁS DOS MUROS/ARTE-FÁBULAS. Contos. Rio de Janeiro, Brasília, 1976.

Este livro de contos é profundamente comprometido com as invenções vocabulares e a ruptura do discurso lógico-discursivo da década de 1970. Inspira-se na linguagem de Guimarães Rosa, Clarice Lispector, Virginia Woolf e outros modernistas. As histórias abandonam o relato cronológico linear e lançam-se em experiências visuais e discursivas onde o personagem principal é a palavra e o discurso beira o imaginário e por vezes a loucura. O lado humorístico mais forte está no conto "O mestre Radin e seu falso cadafalso", que também saiu publicado na revista Ficções (Rio de Janeiro).