A MAÇÃ MORDIDA. Contos. Rio de Janeiro, Numen, 1992.
O conto que dá título à coletânea dá o tom da obra, que é abertamente fantástico, surrealista ou pós-moderno, conforme se prefira intitular este estilo. Ele apresenta fortes características cinematográficas, visuais, sígnicas. Pretende acompanhar o narrado através da ação, que se passa na mesma velocidade que o pensamento. Não há aprofundamento descritivo dos personagens, porque na sociedade contemporânea não há tempo para parar e pensar. Aventuras, impasses, escolhas, mergulho no inconsciente, no sonho, no delírio, na fantasia se sucedem. A palavra que resume a forma de narrar do livro poderia ser "pós-moderno".
terça-feira, 24 de julho de 2007
Assinar:
Postar comentários (Atom)
2 comentários:
Luiza, adorei este seu livro.Nunca havia falado sobre ele com vc antes.
Confesso que quando o li pela primeira vez, eu ainda era uma pessoa meio inexperiente e fiquei meio espantada com aqueles personagens...
Hoje sei que a narrativa é pós-moderna e fico pensando de onde vc tirou tanta imaginação para criá-los. Realmente vc é uma pessoa criativa e a forma como vc estruturou o livro foi bastante inteligente.
Abraços.
Claudia.
Luiza,
na contracapa do livro e contos "A maçã mordida" temos um comentário sobre a sua carreira, dizendo que sua literatura tem um diálogo velado com Clarice Lispector. Eu acrescentaria, se me permite, que você tem um diálogo com Caio Fernando Abreu. Acho que "A maçã mordida" e "Morangos mofados" tem uma atmosfera parecida. Não sei se você sofreu influências ou influenciou o citado escritador, mas o fato é que achei o universo de vocês bem parecidos, e os dois tem uma escrita muito interessantes, achando beleza, poesia e lirismo naquilo que á a anti-poesia. Vocês trtam da solidão de forma muito angustiante, como a solidão realmente é. A conversa de Rogério e josé m um restaurante é meio melancólica, pois percebemos que na vida social eles não tem muitas afinidades, são dois estranhos que só estão sentados na mesma mesa pela atração exual que sentem um pelo outro. Suas ideologias são diferentes, o modo de enxergar a vida dos dois é bem oposto. Rogério pensa a sociedade sem sutilizas, pensa em satisfazer as necessidades dos homens, como dar à eles a dignidade, a igualdade de bens de consumo. Se decepcionou com a revolução cubana, mas ainda acredita em uma forma de socialismo. José é meio debochado, irônico, gosta do que Rogério chama de "nojeiras",gosta das idéias de reud, da psicanálise, idéias estas ue para um homem que pensa a sociedade com um grupo homogêneo, podem parecer bobagens.
Um abraço,
Felipe (e-mail para contatos: "felipecoelho4733@yahoo.com.br")
Postar um comentário